Custo fixo é tudo que você paga independente de quantos pedidos fizer no mês. Aluguel, energia, internet, salários, contador — esses valores existem mesmo se você não vender nenhum prato. É o seu piso financeiro.
Conhecer o custo fixo é o passo zero da gestão financeira de qualquer restaurante. Sem esse número, você está voando cego — não sabe o quanto precisa faturar para pagar as contas, nem onde estão as gorduras que podem ser cortadas.
O que é custo fixo vs. custo variável
Lista completa de custos fixos típicos
Aluguel e condomínio
O maior custo fixo para quem tem ponto físico. Para delivery em casa, pode ser zero ou rateio do espaço.
Folha de pagamento
Salários, encargos (FGTS, INSS), benefícios (VT, VA). Custo real de um funcionário é 1,4–1,7x o salário bruto.
Serviços e assinaturas
Internet, telefone, sistema de gestão, cardápio digital, contador. Revisar assinaturas anualmente pode revelar cobranças desnecessárias.
Energia e gás (parte fixa)
A tarifa mínima é custo fixo. O excesso de consumo é variável. Separe as duas partes na planilha.
Seguros e taxas
Alvará de funcionamento, seguro do estabelecimento, taxa de lixo. Anuais — rateie por mês para visualização correta.
Retirada do dono (pró-labore)
O dono também tem custo. Se você não incluir o pró-labore nos custos fixos, está subsidiando o negócio com seu próprio trabalho invisível.
Como calcular o ponto de equilíbrio
Liste todos os custos fixos mensais
Some tudo: aluguel + salários + contador + internet + seguros + pró-labore + outros. Esse é o seu custo fixo total.
Calcule a margem de contribuição média
Margem de contribuição = preço de venda − custos variáveis (ingredientes + embalagem + comissão). Se um prato custa R$12 variável e vende por R$35, a margem é R$23.
Divida custo fixo pela margem média
Ponto de equilíbrio = custo fixo ÷ margem de contribuição média. Se seu custo fixo é R$4.000/mês e a margem média por pedido é R$20, você precisa de 200 pedidos/mês para cobrir os custos.
Some a meta de lucro desejada
Ponto de equilíbrio cobre custos — não gera lucro. Se você quer R$2.000 de lucro além dos custos, precisa de mais 100 pedidos/mês no exemplo acima.
Como reduzir custo fixo sem cortar qualidade
- Revise assinaturas mensalmente — corte as que não geram valor direto
- Negocie aluguel com antecedência — proprietário prefere redução a vacância
- Compartilhe cozinha (dark kitchen compartilhada) para dividir custos operacionais
- Use MEI ou ME enquanto o volume permitir — reduz custo contábil e tributário
- Automatize atendimento com cardápio digital — reduz necessidade de atendente
- Revise plano de internet e telefone — pacotes corporativos nem sempre são os mais baratos
- Renegocie contratos de fornecedor anualmente — lealdade tem valor comercial
Gestão financeira integrada ao seu delivery
Pedidos, receitas e custos em um só lugar.
Ver como funcionaQual porcentagem do faturamento deve ser custo fixo?
Em delivery, custo fixo saudável fica entre 15–25% do faturamento. Acima de 35% é sinal de alerta — ou o faturamento está baixo ou os fixos estão altos demais. Restaurante físico tem tolerância maior (25–40%) por conta do aluguel e equipe.
Devo incluir depreciação de equipamentos no custo fixo?
Sim, para ter visão real dos custos. Divide o valor do equipamento pelo número de meses de vida útil estimada — esse valor mensal entra como custo fixo. Evita surpresa de ter que comprar um forno novo sem capital.
Como separar custo fixo pessoal do custo fixo do negócio?
A separação começa pela conta bancária: uma conta para o negócio, outra pessoal. O pró-labore é o único dinheiro que sai do negócio para o pessoal. Misturar contas distorce todos os números e torna qualquer análise inútil.
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